Varejo e tecnologia: combinação que pode vencer a crise

Em 2015, o Varejo brasileiro completou dez anos de pleno crescimento. Este período foi chamado pelo Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) como a década de ouro. Entre as conquistas do setor no período estão redução de impostos (como o IPI), unificação das máquinas de cartão de crédito, desoneração da folha de pagamento e o pleno crescimento do consumo das famílias brasileiras. Nesta última década, boa parte da população com baixo poder de consumo passou a consumir mais (a chamada nova classe C), o que beneficiou muito os empresários do ramo, os varejistas.

No entanto, o ano de 2016 trouxe desafios para a macroeconomia, o que afetou também o comércio varejista. O Banco Central estima um encolhimento no Produto Interno Bruto (PIB) na casa dos 3,83% até o final de 2016, as vendas dos lojistas tiveram queda de 1,5% logo no início do ano, há aumento da inflação e alta nas taxas de juros.

Como o Varejo irá lidar com estes desafios? Como os lojistas poderão seguir crescendo e garantindo empregos? São algumas das perguntas que economistas e empresários da área estão se fazendo.

Ao mesmo tempo, apesar da crise, o Brasil se mantém como um dos países emergentes que mais investem em tecnologia — a IDC aponta que a América Latina como um todo deve movimentar mais de 139 bilhões de dólares em soluções de computação em nuvem, big data, internet das coisas, entre outras. E o varejo é um dos segmentos que mais rapidamente adota novas tecnologias.

 

A situação do Varejo brasileiro com a crise econômica

Março de 2016. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) anuncia que o Varejo no Brasil está em plena queda. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, a gerente de coordenação de serviços do órgão, Isabella Nunes aponta que o ano começou com diminuição de 1,5% em vendas e rentabilidade, a pior queda dos últimos dez anos.

Para a especialista, trata-se de um resultado que está em consonância com o mercado brasileiro como um todo. Também reflete o comparativo com o ano anterior, quando uma série de incentivos fiscais impulsionou a venda de eletrodomésticos, especialmente a chamada ‘linha branca’ que teve IPI reduzido.

Entre as empresas varejistas que mais sofrem com esta baixa estão as que comercializam materiais de construção, visto que a construção civil teve também uma desaceleração considerável — o volume de vendas caiu 6,6% em janeiro.

Abril de 2016. O Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) registra queda de 10,9% no volume de vendas do segmento na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Notícias não muito favoráveis para o setor responsável pelo maior número de empregos no Brasil – de acordo com o IBGE mais de 9,2 milhões de postos de trabalho estão no varejo, ou 19,1% da força total de trabalho do país.

Mas há sim quem veja luz no fim do túnel. Luiza Helena Trajano, empresária fundadora da Magazine Luiza e atual presidente do IDV,  apontou em um evento em São Paulo que os esforços do setor estão se concentrando em renegociar dívidas, manter clientes ativos satisfeitos e garantir os empregos, mesmo com a queda da lucratividade.

O comércio online talvez seja um dos braços do varejo que mais cresceram nos últimos anos no Brasil. Em 2015, o volume de vendas via internet foi de 41,3 bilhões de reais, algo em torno de 15% a mais do que em 2014, de acordo com a e-bit. Comerciantes de moda e acessórios lideram desde 2013 o ranking dos que mais vendem (14%), seguidos por eletrodomésticos (13%), telefonia e celulares (11%), cosméticos (10%) e livros (9%).

O e-commerce é somente a ponta do iceberg quando se trata da utilização da tecnologia para alavancar os resultados do varejo. Há inúmeras formas e combinações tecnológicas que estão sendo empregadas no setor para ganhar competitividade, diminuir custos, aumentar a produtividade e elevar a lucratividade.

Qual sua opinião sobre o cenário do varejo no Brasil? Deixe seu comentário.

Santiago Marcanth
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