Por que a avicultura industrial tem crescido no Brasil?

Se um londrino, um australiano ou um canadense for ao supermercado em busca de carne de frango, existe 40% de chance de cada um deles comprar algo de origem brasileira. Pelo menos é o que dizem os dados do Ministério do Desenvolvimento, que no ano passado divulgou uma nota informando que, de cada 10 galetos consumidos no mundo, pelo menos quatro vieram do nosso País, ultrapassando, assim os números de outros gigantes da avicultura industrial, como a China, por exemplo.

Mas por que a carne aviária do Brasil é tão desejada? Como o País conseguiu se tornar um player tão importante do mercado? Será que todos os profissionais do agronegócio nacional estão preparados para encarar a concorrência lá de fora? Ao longo deste artigo buscamos refletir sobre essas questões. Confira.

Por que a avicultura industrial cresce tanto no Brasil?

Para responder a essa pergunta, primeiro temos que voltar um pouco no tempo: mais precisamente até 1983, ano em que o País fez seu primeiro lote de exportação de carnes de frango com cortes especiais.

Acostumada a vender apenas as peças inteiras, foi naquele ano que a nossa indústria confirmou a tese de que se ela investisse em tecnologia, produção e cortes de melhor qualidade, seria possível fazer performar melhor, tanto no mercado externo, quanto doméstico.Isso porque, depois que os brasileiros descobriram que era possível comprar só algumas partes da ave e não ela inteira, os próprios hábitos de consumo foram se modificando no Brasil.

Mas, claro que ter só uma produção de ponta não ajudaria muito se a nossa carne não fosse realmente boa.

Com excelentes criadores não só de frango, mas também de peru e avestruz, o Brasil ainda ganha pontos por ser um dos maiores produtores de grãos do mundo, produzindo, dessa forma, algumas das rações de maior qualidade para os animais de corte. E isso sem contar que nossas granjas e abatedouros são considerados os mais higiênicos também, deixando o País fora da rota de várias epidemias, como a gripe aviária de 2005.

Como nossa avicultura tem ganhado o mundo?

Com tantas características, não é de se admirar que nossa avicultura industrial esteja chegando tão longe, como é apontado pela Comissão Nacional de Aves e Suínos, que diz que hoje já exportamos para mais de 150 países, fazendo do Brasil um exportador maior do que outros nomes conhecidos como Estados Unidos, União Europeia, Tailândia e China.

E isso porque ainda temos outros mercados para serem explorados: Taiwan, República Dominicana, Austrália, Nova Zelândia e Camboja, por exemplo, que devem começar agora em 2016 a também trabalhar com a importação das nossas carnes.

Agora, mesmo com tudo isso, é bom lembrar que o Brasil não é o número 1 em produção de carne aviária, já que ele ainda fica atrás dos Estados Unidos, que detêm 20% da produção mundial. Ou seja: ainda tem muito espaço para ser conquistado, basta que os nossos produtores estejam preparados para encarar esse desafio, profissionalizando sua gestão de negócios.

E como profissionalizar ainda mais o negócio?

Com esse espaço para o crescimento do agronegócio brasileiro no mercado externo é de se esperar que cada vez mais as empresas procurem se profissionalizar para se tornarem competitivas.  Acompanhe, a seguir, algumas dicas que podem ser muito úteis neste caminho:

Apostar na gestão de RH

Apesar do agronegócio ser um dos grandes responsáveis por movimentar a economia brasileira, a maioria de nós sabe que encarar o campo como negócio é algo relativamente novo — tanto que o termo “agronegócio” só começou a ser usado de 1995 para cá. Portanto, ainda é preciso investir bastante em recursos humanos e capacitação.

Investir em capacitação

Todos os meses novos cursos e faculdades voltados para o agronegócio têm surgido pelo Brasil. De olho nisso, grandes empresas têm investido significativamente mais na capacitação de seus profissionais em busca de uma mão de obra especializada, que possa trazer inovações e reduzir gastos em todas as pontas do negócio, da produção até à gestão.

Ter atenção ao Big Data

A agricultura de precisão é um segmento do agronegócio que tem utilizado bastabte a tecnologia de Big Data para prever  altas ou baixas nos preços de vendas da carne, fazer melhorias nas colheitas com base em informações meteorológicas e até criar descontos para possíveis compradores se baseando no preço aplicado pelos concorrentes. Tudo isso em questão de segundos.

Contrate mais mulheres

Apesar da participação feminina ter crescido cerca de 7% no segmento do agronegócio brasileiro nos últimos anos, o fato é o que país ainda fica atrás de outros países do mesmo continente, como o Chile (onde elas ocupam cerca de 30% dos espaços), Panamá (29%) e Equador (25%). Mas porque contratar mais mulheres seria sinônimo de profissionalismo?

Simples: porque assim a empresa ganharia diferentes maneiras de se encarar os problemas e tomar decisões e até mesmo melhoraria a cultura organizacional do negócio.

Apostar no conhecimento de mercado

Entender do agronegócio também tem a ver com entender o mercado, até mesmo o de ações. Por isso, as marcas hoje têm procurado por profissionais que tenham ao mesmo tempo conhecimento sobre negócios e também sobre o campo, podendo assim criar e prever oportunidades de investimentos e até de vendas.

Utilizar sistemas digitais para o gerenciamento do transporte

Não o é nada fácil saber, manualmente, quais caminhões estão saindo, quais estão chegando, quando é hora de manutenção em cada um deles e como levar a carne da melhor forma até o destino final. Portanto, uma boa saída é apostar em sistemas digitais que consigam fazer o gerenciamento de toda a logística de transporte do negócio – algo que nós até já abordamos anteriormente em nosso post sobre Como a tecnologia ajuda a reduzir custos no agronegócio.

Como você pôde ver por aqui, graças à nossa profissionalização da avicultura industrial, o Brasil é hoje um dos grandes players desse mercado em todo o mundo. Portanto, para que o seu negócio também consiga lucrar com o segmento, é preciso se capacitar e, claro, apostar no uso da tecnologia.

Gostou do nosso artigo? Então diga o que achou e aproveite para tirar alguma dúvida sobre o assunto aqui mesmo nos comentários do post.

Sergio Valerio
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