Os 8 maiores desafios da gestão do agronegócio

A agricultura é marcada por uma efervescência e mutabilidade constantes. Os desafios enfrentados por empresários da gestão do agronegócio são diversos e, para que consigam destaque e bons resultados, precisam desenvolver um forte faro para detectar oportunidades e corrigir deficiências.

Hoje em dia, o setor da agricultura engloba muito mais do que a mera produção e distribuição de alimentos. O Brasil é um campo fértil para quem atua nessa área e, aqueles que percebem e entendem esse grande potencial colocam-se vários passos à frente da concorrência. A seguir, confira quais são os 8 maiores desafios do agronegócio brasileiro e entenda como superá-los.

1. Falta de mão de obra no campo

Um fator que ameaça o crescimento da agricultura é a falta de mão de obra do campo. Existe uma carência de profissionais especializados no agronegócio — e capazes de manusear novas ferramentas tecnológicas. Para ajudar a solucionar o problema, a gestão pode optar por buscar a capacitação dos próprios moradores locais por meio de cursos profissionalizantes.

2. Dependência hídrica

Você sabia que o Brasil possui cerca de 12% da água doce do mundo e que nada menos do que 70% dela é destinada para a irrigação do setor agrícola? De fato a agricultura brasileira é uma das maiores do Planeta e a água é um bem indispensável para a manutenção do setor. Ainda assim, tais dados são alarmantes — tanto do ponto de vista da dependência, pois tamanha demanda torna a agricultura vulnerável às crises hídricas, quanto no que diz respeito a maneira como o recurso tem sido utilizado.

Medidas que potencializem o aproveitamento da água, como o sistema de plantio direto (SPD), são essenciais para a sustentabilidade — financeira e ambiental — do setor agrícola. Desse modo, além do melhor aproveitamento dos recursos hídricos, cria-se uma imagem mais positiva perante os consumidores, que estão a cada dia valorizando mais empresas ecologicamente conscientes.

3. Desperdício de alimentos

Segundo uma pesquisa da FAO (2013), cerca de um terço dos alimentos produzidos no Brasil são descartados sem qualquer tipo de aproveitamento. No caso dos produtos hortifruti, esse desperdício chega a 45%. Tais dados revelam, sobretudo, sistemas de logística insuficientes. Alimentos  que poderiam ser comercializados ou doados — com vantagens como melhor percepção pública — acabam no lixo.

As melhores maneiras de se evitar tamanhos desperdícios é investindo em meios de transporte mais eficazes, capacitando os profissionais que manuseiam os produtos para que não danifiquem os alimentos e, ainda, utilizando softwares de gestão que monitorem a produção, distribuição e variações meteorológicas.

4. Energia consumida

O alto consumo de energia elétrica exigido pelo agronegócio acarreta em gastos altíssimos e, muitas vezes, desnecessários. A maior parte da energia gasta poderia ser proveniente de fontes mais baratas e sustentáveis, em alguns casos, aproveitando até mesmo os resíduos da produção. O biogás, por exemplo, é uma alternativa complementar para as necessidades energéticas do agronegócio. Ele é gerado a partir da decomposição anaeróbica das sobras orgânicas.

De acordo com dados estudados na Universidade de São Paulo (USP), Além do benefício da economia, essa fonte de energia representa uma série de benefícios ambientais, como a redução de odores fortes e de proliferação de insetos nos efluentes e, ainda, a não exposição do metano — gás causador do efeito estufa — à atmosfera.

5. Dependência de agrotóxicos

O modelo agrário baseado no uso extensivo de agrotóxicos tem sido questionado constantemente no debate público. É uma questão de tempo para que a maior parte dos consumidores se conscientizem acerca dos prejuízos causados por tais produtos. A procura por produtos orgânicos é cada vez maior. Portanto, é de extrema valia para empresários e gestores do agronegócio investirem em produção de alimentos que não agridam nem o meio ambiente nem o corpo humano.

Ademais, o governo brasileiro tem avançado no sentido de beneficiar e estimular o setor agrícola orgânico, como foi o caso da criação da norma publicada no dia 25 de maio de 2012 no Diário Oficial da União — instrução normativa conjunta, assinada pelo Ministério da Agricultura, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).

6. Variações climáticas

Um dos maiores motivos de prejuízos no campo é a falta de preparo para a instabilidade climática. A não antecipação de chuvas, secas, variações das condições do solo ou outras peculiaridades do clima podem ser fatais para uma colheita — ou para o negócio inteiro. A forma mais eficiente de preparar para tais intempéries é utilizando softwares para a agricultura. Eles anteverão as variáveis que podem afetar a produção e, ainda, possibilitarão uma melhor gestão de operações, financeira e de transporte.

Além disso, soluções Big Data para a agricultura promovem verdadeiras revoluções na produtividade do setor. Por meio de análises estatísticas feitas pela tecnologia, é possível definir, metro a metro, qual a melhor forma de fazer um plantio, considerando variáveis como profundidade e umidade do solo, distância entre as sementes, períodos favoráveis, dentre vários outros. Por sim, ainda se tem a possibilidade de analisar todas as informações relativas à plantação detalhadamente.

7. Consciência social

Um erro bastante comum nos negócios agrícolas é a desconsideração em relação aos trabalhadores da lavoura e à cidade onde vivem. Muito mais do que um espaço para investimentos, o campo é o lar dos trabalhadores rurais. Por isso, o agronegócio deve assumir uma postura colaborativa em relação ao ambiente no qual está atuando, propiciando condições dignas de trabalho para os locais e ajudando no desenvolvimento da região.

8. Falta de planejamento estratégico

O planejamento estratégico para a gestão do agronegócio engloba um olhar atento sobre todos os pontos citados. É preciso avaliar todos os processos do negócio, os insumos necessários, os gastos com cada tipo de atividade, a média de lucro e por aí vai. Para isso, três passos básicos são necessários: análise de todas as informações coletadas, atualização de ferramentas e elaboração de relatórios.

Posteriormente, todas as decisões deverão ser tomadas de modo a garantir a saúde financeira e a produtividade da empresa. Consultorias empresariais são, portanto, imprescindíveis para os profissionais da agricultura que buscam um panorama completo do negócio e, consequentemente, decisões mais eficientes e lucrativas.

Ao seu ver, como a gestão do agronegócio pode superar esses desafios? Aproveite para compartilhar esse conteúdo nas redes sociais e fomentar o debate.

Vicente Carvalho
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