O que é agricultura de precisão e como implantá-la?

Conjugar eficiência operacional e sustentabilidade é o maior desafio do agronegócio. Com a evolução da tecnologia, esse mercado vem sendo positivamente impactado e muitas evoluções e inovações vêm agregando um importante valor às cadeias produtivas. Estamos falando da agricultura de precisão.

Na prática, esse modelo é um sistema de gestão da produção agrícola, integrando informações que vão desde características físicas e químicas do solo, da vegetação e da água, até o risco de infestação por pragas.

Esse conjunto de tecnologias voltado para o manejo de solos, culturas e insumos propõe um melhor gerenciamento dos sistemas de produção agrícola em todas as suas etapas, desde a semeadura até a colheita. Além disso, é considerada a variabilidade espacial e temporal para que sejam minimizados os efeitos negativos ao meio ambiente e maximizada a lucratividade.

Tudo isso colabora para otimização do nível de produtividade, redução de custos e de desperdícios e de maior preservação dos recursos naturais.

Nessa perspectiva, a agricultura de precisão será abordada, neste e-book, do ponto de vista da eficiência que ela agrega ao agronegócio.

O que é agricultura de precisão e por que é preciso falar sobre ela?

A necessidade de provimento de alimentos para o mundo inteiro cresce no mesmo ritmo da população mundial. Para comportar tamanha demanda, a agricultura precisa evoluir seus padrões de produtividade, sem que isso implique degradação ou esgotamento do meio ambiente.

Nesse contexto, o uso constante e inadequado de terras para a agricultura tem um preço: a degradação do ecossistema em torno da produção, com consequências, em alguns casos, irreversíveis. Os danos mais comuns são:

  • Contaminação da água, não só dos leitos mas também dos lençois freáticos, por adubos químicos;
  • Erosão do solo, causada pelo desmatamento e pelo uso intensivo e incorreto dos leitos dos rios;
  • Redução da biodiversidade, em função do excesso de pulverização de defensivos e pela implantação de monoculturas.

A destruição do meio ambiente sugere a defesa de uma causa praticamente social, uma bandeira para ativistas. Mas do ponto de vista econômico, a preocupação também é grande, especialmente quando o assunto é agronegócio.

Pensar a sustentabilidade ambiental para os negócios voltados para as ciências da terra é questão de sobrevivência. A matemática é simples: sem recursos naturais disponíveis e produtivos não há entrega de produtos ao mercado, logo não há geração de receita.

Diante dessa realidade é que vem ganhando cada vez mais força a agricultura de precisão, que se dedica a encontrar soluções para que as taxas de produção possam crescer, sem que o impacto ambiental siga a mesma curva evolutiva.

Nesse novo contexto, não só as tecnologias são o diferencial. Também existe uma onda de valorização do profissional com qualificação para enfrentar as dificuldades ambientais e buscar alternativas viáveis ao negócio com o uso de inovações que tornam tanto gestão quanto produção muito mais precisas.

Essa precisão, que dá nome ao conceito, está bastante relacionada com a adoção de tecnologias de tratamento e gestão da informação, que permitem analisar cenários do negócio, tendências para safras, variabilidade de características naturais, dados meteorológicos e de georreferenciamento.

Com o uso de softwares de alta performance, é possível automatizar processos agrícolas e adotar estratégias diferenciadas de produção. E com o incremento de equipamentos de ponta, como drones e sensores, informações de muito valor passam a ser agregadas às análises e então um ciclo de eficiência e assertividade se fecha em torno do agronegócio.

Assim, o que se percebe é que o que parecia ser uma revolução no manejo agrícola tem um caráter muito mais estratégico: a agricultura de precisão é, na verdade, um agente de transformação profunda na gestão do agronegócio.

Agricultura de precisão x produtividade do agronegócio: qual a relação entre elas?

Voltando ao conceito de agricultura de precisão, teremos a expressão variabilidade sempre citada. Isso decorre de características naturais dos ambientes produtivos, já que o solo é um elemento vivo, sujeito a mudanças climáticas e a transformações decorrentes da própria ação do homem.

Assim, a presença de determinados elementos fisioquímicos e biológicos pode influenciar a produtividade, com variações ao longo do ano.

Então o que se busca, ao acompanhar essa variabilidade, é montar mapas de produtividade para entender um padrão e saber exatamente o que muda de ano para ano ou de safra para safra.

Isso faz parte de um processo permanente de amadurecimento que permite que a produção agrícola seja crescente, ainda que menos recursos sejam investidos, que menos insumos sejam empregados, que menos acompanhamento presencial seja necessário.

Esse é o conceito de eficiência operacional e é perfeitamente aplicável à produção agrícola. No contexto do agronegócio, ele significa produzir mais em uma área menor ou com menos recursos.

A pergunta que surge é como conseguir esse ganho na escala de produtividade sem que isso onere os orçamentos ou exija mais recursos humanos e materiais. A resposta é simples e intuitiva: só pode ser um milagre da tecnologia. E realmente o é.

Não há como alcançar esse objetivo sem a adoção de tecnologias e a agricultura de precisão traz exatamente esse caminho: o de inteligências e equipamentos que permitem traçar rotas racionalizadas para a condução de processos produtivos.

Um exemplo é a aplicação precisa de defensivos, fertilizantes e outros insumos, como adubos, na medida exata da necessidade de cada área de plantio. Com as informações precisas fornecidas pelos sistemas de gestão, é possível manejar a fertilidade do solo, com base em amostras georreferenciadas, o que gera grande economia com insumos.

Outra solução apresentada é a avaliação de dados de plantios anteriores para que as próximas culturas tenham seus planejamentos ajustados com base nas lições aprendidas e possam ter melhores resultados.

Com a combinação de informações de produções diversas, a tecnologia permite produzir mapas de produtividade e indicar onde, quando e como a produtividade por ser maximizada.

Essa questão da proatividade em relação ao planejamento de cultivos é uma das vantagens da agricultura de precisão. Conheça agora outros benefícios!

  • Possibilita um melhor conhecimento do campo de produção;
  • Auxilia na decisão sobre aumento de capacidade e flexibilidade para distribuição de insumos nos locais necessários;
  • Redução dos custos de produção;
  • Uniformidade na produção, com a correção de fatores que contribuem para sua variabilidade;
  • Redução dos riscos inerentes à atividade agrícola;
  • Controle de toda situação, pelo uso da informação – o que permite decisões ágeis e assertivas;
  • Preservação do meio ambiente;
  • Aumento da produtividade e da rentabilidade do agronegócio.

Aqui cabe destacar uma vantagem que é muito característica dos ganhos trazidos pela implementação de tecnologias na gestão de negócios.

Gestores são lideranças empresariais e não há qualquer diferença de papel em decorrência de localização, porte do empreendimento ou ramo de atuação. Assim, gestores que cuidam de empresas do ramo financeiro têm a mesma carga de responsabilidades daqueles que gerem agronegócios. Não há que se fazer distinção entre cidade e campo, até porque os grandes negócios rurais são conduzidos dentro de escritórios nas capitais, sob proteção do ar condicionado.

Nesse contexto, a liberação do administrador para se dedicar a questões mais gerenciais é uma prática altamente estratégica e só a tecnologia trará essa possibilidade. Isso porque ela agiliza análises, simplifica fluxos de trabalho, automatiza processos, reforça os controles e organiza todas as informações que serão insumos para a tomada de decisão.

Vamos conhecer, no próximo tópico, alguns conhecimentos e soluções tecnológicas podem ser combinados para transformar os paradigmas do agronegócio.

Tecnologia aplicada à agricultura de precisão: conheça as principais ferramentas e recursos

A agricultura de precisão é caracterizada por trazer para o campo inovações antes comuns apenas nos escritórios empresariais ou na indústria.

Em linhas gerais, a agricultura de precisão atua em quatro aspectos, contemplando todo o ciclo produtivo agrícola, com abordagens que aproximam a produção dos padrões de eficiência desejados:

  • Preparação do solo: análise do solo para busca das causas da variação de produtividade e aplicação de fertilizantes e corretivos a taxas variáveis, de acordo com a necessidade de cada área mapeada;
  • Plantio: uso de taxas variáveis, de acordo com o potencial produtivo de cada porção de terra mapeado;
  • Acompanhamento da lavoura: aplicação localizada de defensivos agrícolas e acompanhamento da cultura apara mapeamento de pragas e doenças;
  • Colheita: geração de mapas de produtividade e colheita com máquinas com sensores de produtividade.

O uso de ferramentas contribui para a redução das perdas na agricultura e torna possível obter dados das propriedades (informações geográficas georreferenciadas) e também informações das lavouras, solo, irrigação e necessidade de defensivos.

Vamos abordar, agora, as principais soluções adotadas na agricultura de precisão.

GPS (Sistema Posicionamento Global por Satélites)

Esse equipamento associa dados de longitude e latitude à cada porção da propriedade. Com a exatidão do local onde alguma intervenção se faz necessária, é possível sanar com eficiência problemas que podem impactar a cultura.

E quando a produção é voltada para exportação, outra função importante do GPS entra em campo: a rastreabilidade. Em alguns contratos de venda para o exterior, há exigência de selos de qualidade fixados nas embalagens, que atestam que aqueles produtos foram produzidos nas condições acordadas, como o não uso de agrotóxicos, a não poluição do meio ambiente e respeito às leis trabalhistas.

Do ponto de vista tecnológico, é crescente a tendência desse controle ser feito pela informação fornecida pelo GPS – a rastreabilidade da origem da produção –, no lugar da conferência de um simples selo.

GIS (Sistema de Informação Geográfica)

São sistemas computacionais que manipulam dados geográficos, como mostradores de mapas e integradores de informações de diferentes bases de dados. Todas as informações geográficas são decodificadas, nesses softwares, em gráficos que facilitam a visualização e a compreensão.

Sistema de mapeamento da colheita

Gera informações sobre produtividade, armazenando dados mapeados durante a colheita.

Sensores de solo

São dispositivos que fornecem dados de composição do solo, compactação, salinidade, acidez, nutrientes e a quantidade de alguns compostos químicos.

Sensores remotos

Uso de aviões, drones e satélites para mapeamento de dados, como posicionamento global, a partir de sensores acoplados em colheitadeiras, semeadoras e outros equipamentos agrícolas.

“Piloto Automático”

Painel de controle automatizado que permite o posicionamento das máquinas para que cada movimento e aplicação de insumos seja o mais produtiva possível

Geoestatística e Big Data

Grandes volumes de dados são coletados e produzidos com o mapeamento e monitoramento constante da produção no campo. Para dar suporte a tanta informação produzida, tabulada, analisada rapidamente e armazenada em infraestrutura robusta, entram as inteligências estatísticas e a capacidade monstruosa do Big Data.

Com a coleta de dados de cada ciclo, torna-se possível produzir os já citados aqui mapas de produtividade, que irão direcionar as próximas safras e, com isso, a análise de dados irá sempre proporcionar uma melhoria contínua.

Assim, esse conjunto de informações permite a visualização da variabilidade espacial da cultura e dá caminhos para que o produtor possa intervir em cada porção de terra para obter melhor performance.

Internet das Coisas e Mobilidade

Informações gerenciais só materializam seu potencial estratégico se acessíveis sempre que necessário. Nesse sentido, as tecnologias aplicáveis são aquelas que conectam dispositivos e pessoas, a qualquer hora do dia e em qualquer lugar.

Por isso hiperconectividade, cloud computing e dispositivos móveis são essenciais à nova realidade do agronegócio, que já está inserido na era digital. Eles garantem que as informações estejam na palma das mãos de quem de direito, sem fronteiras, sem distâncias, mas com segurança e agilidade.

Em relação a tecnologias, algo não se pode negar: elas promovem a sustentabilidade necessária ao meio ambiente e ao negócio. Elas permitem níveis cada vez melhores e maiores de produtividade, com cada vez menos impacto no ecossistema natural.

Como implantar a agricultura de precisão no campo?

Implantar um novo sistema produtivo, seja na indústria, na empresa prestadora de serviço ou no campo exige a definição de estratégias, processos e a busca de recursos que irão suportar a novidade, além de orçamento para aquisição de máquinas e tecnologias.

Um dos primeiros desafios é definir o que o agronegócio deseja medir. Essa resposta direciona outras etapas da implementação, como o tipo de equipamentos mais adequado.

Sendo a agricultura de precisão uma forma de gestão, pressupõe-se que ela será adotada para, também, mensurar e avaliar a produção. Afinal, só se pode gerenciar o que se mede. Então resultados das decisões de hoje devem ser medidos para orientar as ações de amanhã. Só assim se terá a evolução contínua do negócio.

Definidas as metas, já se tem um caminho para a determinação dos dados a serem coletados. Além disso, é preciso estabelecer parâmetros para verificação do alcance dos indicadores estipuladas.

Então será a vez de decidir que tipo de equipamentos adquirir para que se viabilize a coleta dos dados e também a análise de toda informação acumulada. Aí entra o conhecimento profundo do negócio e do tipo de produção, para que sejam selecionadas as máquinas, dispositivos e inteligências que vão ser úteis para aquela realidade.

Com suporte tecnológico e automatizado em mãos, é preciso definir a forma de disponibilização e de visualização dos dados e das análises produzidas. Mais uma vez vale ressaltar que o gestor de um agronegócio não foge à regra de outro tipo de liderança estratégica: ele precisa ter informação rápida, de interpretação objetiva, disponível a todo momento.

Na sequência, vem a consolidação de uma cultura organizacional de valorização da inovação, bem como a capacitação de todo o pessoal envolvido, para que sejam extraídos os maiores benefícios do novo modelo de atuação.

E como em todo processo, é preciso estabelecer um ciclo de governança que permita a avaliação constante dos resultados. Esse é um dos principais ganhos da agricultura de precisão: a possibilidade de mapear gargalos, corrigir rotas e colher cada vez melhores resultados no negócio.

Por que o software de gestão pode ajudar na implantação da agricultura de precisão?

A principal característica de todo software de gestão é a capacidade de integrar informações, unificar repositórios, coletar e trabalhar grandes volumes de dados e produzir análises que auxiliam na tomada de decisão sobre os rumos do empreendimento.

Não agronegócio não é diferente e esse tipo de ferramenta traz maior agilidade aos processos, aumento da produtividade, redução de custos e decisões mais assertivas, a partir de um ambiente muito mais controlado e com uma governança muito mais ativa.

Então cadeias produtivas passam a ter controles, como os de estoques, logística, insumos. Além disso, passam a contar com monitoramento de desempenho e de metas a serem alcançadas.

Com isso, os softwares de gestão funcionam como corretores dos gargalos do ciclo de produção e permitem visualizar pontos de atenção e identificar possibilidades de melhoria. Proporcionam, ainda, fluidez na comunicação entre todos os envolvidos, já que a base para consulta e inserção de informações é a mesma.

Dentre as funcionalidades desejáveis em um software de gestão voltado para o agronegócio estão:

  • Planejamento e controle de cadeias produtivas;
  • Controle de estoque de suprimentos e de produtos;
  • Controle de contratos, tanto de fornecimento de insumos quanto de manutenção e assistência técnica de equipamentos e tecnologias;
  • Gerenciamento de vendas e faturamento;
  • Gestão de pessoas, do quadro da empresa e terceirizados;
  • Gestão de logística, envolvendo distribuição e transporte.

Para viabilizar o incremento da produção com todo o valor que um sistema de gestão pode agregar, é preciso conhecer bem o negócio, o mercado e as necessidades que precisam ser supridas. Mas muitas vezes o gestor do agronegócio entende de plantio e colheita e tem dificuldades em analisar cenários.

Nesses casos, o ideal é encontrar um parceiro de mercado que não só forneça o suporte tecnológico como também uma consultoria que possa entender a realidade de cada negócio e apresentar uma proposta sob medida.

Outro fator a ser observado é a experiência de mercado desse parceiro. É importante buscar fornecedores que tenham oferecido atendimento a empreendimentos com características similares e que tenha em sua bagagem cases de sucesso.

No pacote de implementação do software de gestão para subsidiar a agricultura de precisão, é válido contar também com transferência de conhecimento, por meio de capacitação das equipes envolvidas.

E um ponto é fundamental e não pode ser esquecido: todo negócio conta com sistemas e bases de dados nativas. Ali estão todo o histórico empresarial e esse verdadeiro tesouro não pode ser perdido. Assim, é indispensável que a nova ferramenta absorva o legado e ofereça perfeita integração com a arquitetura e as funcionalidades dos instrumentos de gestão já existentes.

Com uma parceria confiável e duradoura, soluções inovadoras podem fazer toda diferença ao negócio, com base no fornecimento de recursos robustos, desenvolvidos por empresas que são referência no mercado de software e que podem oferecer segurança e credibilidade.

Conclusão

O aprendizado que fica da evolução que o agronegócio vem assumindo é que não pode haver espaço para o medo de inovar.

As tecnologias já mostraram seu poder de potencializar a gestão de qualquer negócio e estar alinhado com essa tendência é uma decisão que precisa ser tomada o quanto antes.

Se hoje um agronegócio demonstra receio em inserir drones e maquinários inteligentes no campo, bem como sistemas evoluídos de coleta e tratamento de informações, as chances dele não conseguir acompanhar o ritmo das mudanças e não ter condições de responder adequada e agilmente ao mercado são reais.

É preciso assimilar, nos modelos contemporâneos de agronegócio, que a agricultura de precisão converge três alicerces de eficiência e potencialização de resultados: informações gerenciais, tecnologia da informação e melhoria de processos produtivos.

Com o trabalho conjunto desses três pontos-chave, é possível aprimorar a qualidade, a produtividade e estabelecer preços mais atraentes, a partir da redução de custos. O resultado de tudo isso é mais competitividade no mercado interno e ampliação das oportunidades de exportação, em alguns casos.

É graças a toda essa inovação experimentada nas últimas décadas que tem sido possível aplicar insumos racionalmente, otimizar o potencial produtivo e reduzir impactos ambientais. Outro resultado muito positivo se refere à redução dos custos de produção e repasse de valores mais justos ao mercado, além do aproveitamento de terras consideradas improdutivas a partir da mudança das características encontradas.

A agricultura de precisão veio com força e para ficar. Eficiência operacional e tecnologia, nesse novo mercado do agronegócio andam juntas, e estar preparado para atuar nos novos “campos” que têm sido abertos no mercado do agronegócio depende das oportunidades para que essa união se concretize.

Uma inovação vem se tornando o principal vetor para a obtenção de melhores resultados, a previsibilidade através de aplicações Analíticas.

Gestores que se interessem em compreender melhor como evitar perdas e reduzir custos de produção podem encontrar respostas valiosas em nosso e-book sobre o assunto.

Marcos Bernardes
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