Inteligência de negócios: lucre mais com o agrobusiness

O agronegócio continua sendo um dos maiores destaques da economia brasileira e, por vezes, é o que evita que os resultados financeiros sejam ainda piores em momentos de crise, como aconteceu em 2015. Para que isso continue sendo possível, entretanto, é necessário que a gestão do setor seja cada vez mais assertiva, de modo a levar, dentre outras coisas, a um aumento do lucro em geral.

Nesse sentido, a tecnologia desempenha um papel fundamental e é por isso que a inteligência de negócios é, cada dia mais, uma realidade dentro desse setor. Para entender como isso é possível, veja a seguir como ter mais lucro ao utilizar esse tipo de inteligência e o que o futuro reserva para o agronegócio brasileiro.

O que é inteligência de negócios?

A inteligência de negócios — também conhecida como BI, ou Business Intelligence — consiste no uso estratégico e personalizado de informação, de modo que um negócio tenha mais visibilidade sobre a sua atuação e sobre o mercado de maneira geral. Esse tipo de inteligência é obtida a partir da análise estruturada e relevante de uma grande quantidade de informações sobre o negócio, com o intuito de que sejam encontrados padrões, possibilidades e ações a serem tomadas.

Antes, a aplicação da inteligência de negócios era mais difícil e restrita devido à dificuldade em adquirir e analisar dados. Com a tecnologia de informação, entretanto, tornou-se muito mais fácil analisar grandes grupos de dados em busca desses padrões e informações. O principal papel da inteligência de negócios, portanto, consiste em apoiar a tomada de decisão do negócio de modo que ele seja capaz de superar os desafios com mais dinamismo e robustez.

Em um mercado cada vez mais competitivo e com clientes cada vez mais exigentes, uma decisão errada pode comprometer todo o resultado do negócio. Assim, usar o BI também é uma forma de ajudar o crescimento de maneira sustentável e estruturada. No agrobusiness essa tendência não é diferente, uma vez que há desafios e fatores ligados à produtividade e ao desempenho em geral e que necessitam de informação para que possam ser superados.

Com isso, a penetração da tecnologia no agrobusiness também vem crescendo conforme a demanda se torna cada vez mais específica e a necessidade de atendimento passa a ser cada vez mais personalizada.

Embora a inteligência de negócios muitas vezes seja vista como um gasto supérfluo e destinado apenas a grandes produtores, a verdade é que há ferramentas flexíveis que podem ser incorporadas à realidade de diferentes tipos de negócio no setor de agropecuária — assim como acontece em todos os outros segmentos.

Como implantar a inteligência dentro de um negócio?

Para que o agrobusiness comece a aproveitar as vantagens do Business Intelligence é preciso que, inicialmente, o negócio detenha uma boa estrutura de TI. A inteligência de negócios vem para agregar, centralizar e analisar dados, não necessariamente para coletá-los logo do começo. Dessa forma, o BI também depende de um conjunto de outras ferramentas já instaladas e que coletem dados referentes aos clientes, aos fornecedores e ao mercado em geral.

Diante disso, é necessário que a empresa mapeie quais são as suas necessidades e quais seus objetivos principais para o uso da inteligência de mercado. As análises oriundas dessa ferramenta podem impactar a mudança de estratégia de negócios, o desenvolvimento de uma nova abordagem com clientes, uma nova estruturação de vendas e assim por diante. A partir de tantas possibilidades, é fundamental que a empresa identifique mais adequadamente qual seu objetivo inicial para o uso dessa inteligência.

Posteriormente, é preciso de fato adquirir a ferramenta que oferece esse tipo de análise. Fazer considerações relativas às necessidades específicas do negócio é indispensável nesse momento, já que a ferramenta deve ser capaz de consolidar os dados da maneira que é esperada. Após, deve-se planejar com cautela como acontecerá o processo de implantação: quanto mais complexas forem as operações do negócio, maior é a necessidade de integração e de passar por uma malha altamente intercalada de processos, causas e efeitos. Por isso, a integração e a implantação desse sistema de inteligência devem ser feitas aos poucos e com bastante monitoramento, de modo que não cause qualquer prejuízo ao negócio e que possa oferecer o máximo de seu potencial.

O treinamento de toda a equipe que será responsável pela manipulação e análise de dados também entra nesse momento, já que é preciso que todos saibam como obter os melhores resultados possíveis da ferramenta a ser utilizada. Por fim, faz-se um acompanhamento para garantir que a implementação da solução seja realmente efetiva, com modificações sendo feitas conforme ocorre a necessidade específica.

Inteligência de negócios x competitividade: como esses fatores estão relacionados?

Mas por que a inteligência de negócios é um fator de competitividade? Simples: porque ela traz competitividade no mercado. A primeira coisa que deve ser levada em conta é que hoje os negócios, inclusive do agrobusiness, estão cada vez mais ligados e integrados à tecnologia. Com isso, há grandes chances de que concorrentes estejam agora mesmo realizando análises e avaliações baseadas na inteligência de negócios. Assim, abrir mão dessa solução é aceitar ficar para trás no mercado, o que pode significar menos vendas e menos atratividade em pouco tempo.

Além disso, o uso de inteligência de negócios traz efeitos que influenciam diretamente em qual é o fator competitivo de um determinado negócio. Esses efeitos incluem:

Possibilidade de definição e modificação da estratégia

Quando um negócio faz uma estratégia ou uma modificação em uma estratégia pré-existente de maneira altamente informada, maiores são as chances de sucesso. Isso acontece porque o planejamento passa a ser altamente baseado em informações, fatos e dados contextualizados, o que torna a análise personalizada para as necessidades do negócio. A inteligência de negócios também traz mais confiabilidade de dados, o que significa que uma estratégia baseada na análise obtida por meio da inteligência de negócios tem muito mais chances de ser efetiva para aquilo que se propõe.

Agilidade no processo de tomada de decisão

A tomada de decisão não envolve apenas o que vai ser feito, mas também o momento em que vai ser feito. O timing de uma tomada de decisão é fator fundamental para o sucesso e, com isso, mesmo a decisão certa tomada no momento errado pode não impedir prejuízos ou perdas de oportunidade.

No agrobusiness isso é ainda mais verdadeiro. Imagine que há uma súbita previsão relativa ao clima que pode afetar a lavoura ou então uma tendência de mercado que pode jogar o preço de determinado produto lá embaixo. Demorar a agir nesses casos só vai fazer com que o negócio amargue prejuízos.

Com a inteligência de mercado, entretanto, isso não acontece e a empresa está preparada para tomar decisões de maneira mais rápida. Como acompanha o dinamismo do mercado, as possibilidades de que o negócio saia na frente da concorrência aumentam, levando ao ganho esperado de competitividade.

Avaliação e mitigação dos riscos

Com uma grande quantidade de informações analisada, também é possível identificar riscos para o negócio no mercado em geral. Como as informações são contextualizadas, inclusive, é possível que dados que parecem sem importância revelem informações importantes referente aos riscos que a empresa corre. É o caso de uma informação que, no momento presente, parece não ter relevância, mas que se for analisada junto da série histórica do negócio demonstra que o negócio correte determinado risco.

Esse tipo de avaliação de ameaças, inclusive, permite que o negócio atue ativamente para contê-los e revertê-los. Assim, existe maior proteção do negócio graças à inteligência de mercado e há menos vulnerabilidades a serem exploradas pelos demais concorrentes.

Compartilhamento de dados e integração de setores

A vantagem competitiva também surge devido ao fato de a inteligência de negócios favorecer o compartilhamento de dados e a integração de diferentes setores do negócio. No agrobusiness, por exemplo, a gestão estratégica e o setor de vendas podem se integrar graças às informações oferecidas pelo BI de modo a obter resultados mais consolidados. Quanto mais comunicação e troca de informações existe dentro de um negócio, maiores são as chances de eventual sucesso porque mais relevante se torna a sua atuação.

Maior precisão na tomada de decisão

Não apenas a inteligência de negócios apoia a tomada de decisão, como ela também faz com que esse processo decisório seja o mais assertivo possível. Em vez de apenas escolher a opção certa, essa inteligência permite que a gestão de negócios decida qual é o melhor caminho a ser seguido pelo negócio ao avaliar uma série de variáveis, como o momento do mercado, os concorrentes e assim por diante.

Ao permitir que o negócio corra riscos controlados, a chance de a decisão certa e precisa ser tomada é maior. Isso é importante porque o menor deslize pode fazer com que um concorrente passe na frente, ainda quando tudo parece ter sido feito da maneira correta.

Identificação e aproveitamento de oportunidades

Da mesma forma que a inteligência de negócios permite uma identificação de riscos, ela também favorece o reconhecimento de oportunidades que estejam disponíveis no mercado. Novamente, nem sempre essas informações se mostram de maneira óbvia, mas com a contextualização é possível identificar aquilo que pode ser benéfico para o negócio.

Os investimentos são exemplos de oportunidades que podem ser aproveitadas. Com informações financeiras do mercado e do concorrente, a gestão pode chegar à conclusão de que realizar determinado investimento trará ótimo retorno para o negócio e suprirá algumas necessidades. Feito no momento certo — e aqui surge novamente a questão do timing — esse investimento pode melhorar os resultados do negócio e diferenciá-los dos demais concorrentes, o que leva ao ganho de vantagem competitiva.

Redução dos custos

Existe uma redução nos custos em geral. Quanto mais informada é a tomada de decisão, mais benefícios ela traz para o negócio. Dentro de uma questão de otimização de processos e de atuação, portanto, é natural que haja uma redução de custos.

Isso influencia a competitividade porque os produtos tanto ganham em qualidade como ganham em preço, que se torna mais vantajoso ou com mais valor agregado. Como resultado, o negócio ganha a preferência dos clientes.

Melhor relacionamento com clientes

Não menos importante está o fato de que o uso de inteligência de negócios também favorece o estabelecimento e a manutenção de relacionamento com o cliente. Além de ser capaz de oferecer mais qualidade, o negócio passa a ser capaz de ofertar soluções personalizadas e de desenvolver produtos ou atuações que atendam diretamente aos negócios.

Um produtor rural, por exemplo, vai conseguir manter um melhor relacionamento com seus consumidores e distribuidores se utilizar a inteligência de negócios. O mesmo vale para uma revenda e para fornecedores em geral, que passam a ter os benefícios da relação em longo prazo com clientes fidelizados.

Quais são as ferramentas mais usadas para a implantação de BI no agronegócio?

Para permitir o aproveitamento de tantos benefícios, a implantação de BI exige a integração de diferentes ferramentas. No agronegócio, algumas das principais ferramentas incluem:

Software de gestão

Uma das mais relevantes ferramentas para o agronegócio é o software de gestão. Esse software é responsável por reunir dados de diferentes setores do agrobusiness, como faturamento de vendas, compras realizadas, histórico de resultados, ferramentas financeiras e assim por diante. Devido ao seu funcionamento, ele oferece informações importantes para que a ferramenta de BI seja capaz de encontrar padrões de atuação, fazer previsão de vendas, identificar necessidade ou possibilidade de investimentos e assim por diante. Se as informações do software de gestão já são centralizadas, o Business Intelligence transforma essa centralização em consolidação e em novos resultados, que vão servir de análise para o negócio.

CRM agrícola

Outra ferramenta muito utilizada para a implantação de BI é o CRM ou Customer Relationship Management. Essa ferramenta tem como principal objetivo mapear todos os pontos de contato entre o cliente e o negócio agrícola. Essa é uma ferramenta fundamental para impactar positivamente o relacionamento com o cliente, já que é possível conhecer mais sobre seus hábitos e suas necessidades. Dependendo do tamanho do negócio, entretanto, a análise individual ou diária é impossível. É exatamente por isso que o BI é tão útil.

Se um grande varejista faz a compra de um determinado item de um produtor rural, por exemplo, o CRM registra isso. Caso a compra seja feita a cada três meses dentro de certas condições do mercado, o BI será capaz de identificar isso e fornecer essa análise. Dessa forma, a gestão pode se manter em contato com o cliente e se preparar para atender às suas demandas específicas de maneira antecipada.

SCM

Embora seja uma ferramenta muito utilizada na indústria, a SCM (Supply Chain Management) também pode ser útil para a implantação de BI no agrobusiness. Como gerencia a situação da cadeia de suprimentos, é uma ferramenta importante para que o uma revenda de produtos agrícolas conheça, por exemplo, a quantidade de produtos em estoque e disponíveis para os clientes.

Mediante uma análise cruzada com o software de gestão, pode-se chegar à conclusão de que uma grande demanda se aproxima, mas o estoque está baixo. Com isso, a gestão de compras pode agir de maneira antecipada, evitando o desabastecimento.

Software de gestão fiscal

Mesmo com incentivos, a gestão fiscal é um desafio para o agrobusiness. É preciso ficar de olho em dados, pagamentos e regularizações para que a produção possa ser escoada da maneira correta, por exemplo. Muitas vezes, entretanto, essa análise fica isolada e funciona apenas como o cumprimento de uma obrigação que deve ser realizada. Ao ser incorporado pelo BI à gestão do negócio em geral, entretanto, o software de gestão fiscal pode fornecer insights poderosos ao negócio, como oportunidades de pagar menos impostos de maneira legal ou de aproveitar determinados créditos fiscais.

Quais são as perspectivas do agronegócio no Brasil?

Utilizar a inteligência de negócios aplicada ao agrobusiness também é importante para que seja possível aproveitar todas as possibilidades, tendências e perspectivas que surgem no horizonte desse mercado no Brasil. Dessa forma, o aumento do lucro será uma consequência natural da melhora geral experimentada pelo agronegócio.

Em 2014, o Brasil detinha 7,04% do comércio agropecuário mundial. Estados Unidos, União Europeia, Rússia, China e Japão foram os cinco maiores importadores do período, totalizando mais de U$ 552 bilhões e 47% de tudo o que foi importado do agronegócio. A China, entretanto, apresenta uma desaceleração na economia desde 2015 e é possível que isso reduza, de certa maneira, o número de exportações do agronegócio brasileiro.

Já em 2015, houve um acréscimo de quase U$ 2 bilhões nas exportações brasileiras realizadas pelo agronegócio, além da recuperação total dos mercados de importação bovina que foram embargados em 2012. Para 2016 e os próximos anos, o potencial exportador é de 555 mil toneladas ao ano e um acréscimo de U$ 2,5 bilhões.

Também há expectativas sobre a conclusão de diferentes acordos e aproximações comerciais. Acordos com o Mercosul, aproximação em relação aos países da Parceria Trans-Pacífico (TPP) e busca por mercados asiáticos surgem no mapa do agronegócio brasileiro. Todos os dados são dos Resultados de 2015 Perspectivas para 2016 da Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio.

Internamente, o setor apresenta aumento de área plantada em algumas culturas mesmo com a crise econômica de 2015. É estimado que para a safra 2015/16, por exemplo, o aumento da área de soja aumente entre 2 e 3%, assim como provavelmente acontecerá com a produção total de grãos.

Apesar disso, o aumento do estoque mundial de alimentos tende a diminuir o preço de culturas como do algodão, do milho, do café, da soja e do trigo, com recuos que variam de 3 a 10%. O açúcar, por outro lado, tende a ter uma elevação de preço de 2%. Por isso, é cada vez mais importante que o agrobusiness aumente a tecnologia empregada no negócio, de modo a conseguir driblar as variações de preço do mercado.

Mesmo com a queda no preço, é o agronegócio a grande aposta para ajudar a recuperar o PIB negativo experimentado pelo Brasil em 2015. Voltando a ser o segundo maior produtor de frangos do mundo e tendo abatido mais de 10 milhões de suínos, a expectativa é que em 2016 o abate possa superar 40 milhões de cabeças.

Apesar disso, existe também o desafio relacionado ao aumento das taxas de juros cobradas sobre os financiamentos devido à dificuldade de oferta de crédito. Com isso, novamente, se faz necessária uma gestão mais assertiva e cuidadosa a fim de garantir que o setor continue crescendo.

Por falar em crescimento, o mercado mundial apresenta boas perspectivas, já que a demanda por grãos no mundo aumentará cerca de 441 milhões de toneladas nos próximos 10 anos. No mesmo período, o Brasil deve suprir cerca de 16% dessa demanda se houver o aumento de produção. O aumento do consumo de carne bovina também vai aumentar e vai ter um acréscimo de 7,4 milhões de toneladas na demanda. Quanto ao leite, a demanda crescerá mais de 38,4 milhões de toneladas.

Até 2026, espera-se que a safra brasileira aumente cerca de 34%, pulando de pouco mais de 198 milhões de toneladas — que é a expectativa para 2016 — para 267 milhões de toneladas em dez anos. Para que tudo isso seja possível o agrobusiness brasileiro precisará estar cada vez mais robusto e mais preparado de modo a conseguir suprir essa demanda e, ao mesmo tempo, superar os desafios internos apresentados pelo mercado.

Conclusão

O agrobusiness brasileiro está cada vez mais tecnológico e, para que todos esses dados sejam realmente úteis, é preciso implementar a inteligência de negócios. Com o uso adequado da informação fornecida por esse tipo de ferramenta, o resultado vai ser não apenas um aumento do lucro e da competitividade no agrobusiness, mas também um aproveitamento de oportunidades, prevenção de riscos e ganho em relacionamento com o cliente.

Dessa forma, o mercado de agronegócio brasileiro estará cada vez mais pronto para atender positivamente à crescente demanda mundial por alimentos em geral, garantindo um aumento consistente da safra e da produção aliado a um ganho de qualidade e penetração nos mercados internacionais.

02-cta2-2

Paulo Ronchetti

CEO ITS

Sem comentários.
Comente