Gestão de custos no agronegócio: como reduzir as despesas logísticas?

Não há crescimento econômico sustentável no agronegócio sem uma gestão de custos eficiente, especialmente em um país com infraestrutura de transportes obsoleta e apoiada quase integralmente no modal rodoviário.

Uma pesquisa feita há alguns anos pela CNT (Confederação Nacional dos Transportes) mostrou que as más condições das estradas brasileiras e a forte dependência do transporte de carga em rodovias eleva o custo de produção em cerca de 30%, o que, evidentemente, encarece nossos produtos e desidrata nossa competitividade no mercado internacional.

Além das dificuldades no escoamento da produção, etapas anteriores como gestão da cadeia de suprimentos, armazenamento e manejo de insumos, se não forem bem planejadas, também vão distanciar a produção de uma margem de lucro minimamente aceitável.

Mas em uma época de crise econômica, de escassez de crédito para o agronegócio e de alto custo de equipamentos, como melhorar o valor agregado de cada unidade produzida? Hoje, você vai receber algumas dicas de especialistas no setor sobre como redesenhar suas despesas logísticas!

1. Promova a integração da cadeia de abastecimento

A explosão dos custos logísticos do agronegócio ganhou corpo, sobretudo, na década passada, com o aumento das exportações. Só de 2003 a 2009, os gastos com transporte saltaram 147%, o que passou a exigir dos produtores o estabelecimento de novas estratégias de relação entre os membros da cadeia de abastecimento. Integração passou a ser fundamental para a economia de todos.

A finalidade da integração da cadeia produtiva é a minimização do custo logístico total, que é a soma dos custos de produção, transporte, estoque, armazenagem e distribuição. Isso se dá com maior giro dos estoques, que passa, necessariamente, pela inserção de soluções de Inteligência de Negócios no campo — também chamado de Business Intelligence (BI).

Sistemas de BI, marcados pela altíssima velocidade e incrível capacidade de processamento, são capazes de mapear (principalmente se utilizados em parceria com outros elementos da cadeia produtiva) diversas variáveis do agronegócio industrial: estrutura das instalações, monitoramento via satélite do transporte, flutuação da demanda produtiva, nível de sobrecarga dos portos em tempo real e rotas alternativas.

Esses são alguns fatores que serão intercruzados, gerando informação valiosa para tomada de decisões estratégicas na área de logística. Não tente fugir dessa lógica: gestão de custos, em plena era de Big Data Analytics, se faz com gestão de dados.

2. Busque rotas alternativas para melhorar a gestão de custos

Enquanto o Programa de Investimentos em Logística PIL 2015-2018 (que pretende, entre outras coisas, permitir o escoamento da produção do Centro-Oeste aos portos do Arco Norte para desafogar os sistemas hidroviários do Sul e Sudeste) não sai do papel, a agricultura e a pecuária continuam assistindo sua produção encarecer por força das dificuldades de transporte/armazenamento/distribuição. Nada, entretanto, que novas estratégias de logística no agronegócio não possam contornar.

Se você atua na área de grãos, por exemplo, há oportunidades interessantes de transporte da safra, aproveitando que o Pará tem nos rios Tapajós e Amazonas a porta de saída para o oceano.

É preciso se reinventar diante dos desafios do setor, especialmente porque o maior porto do país, o Porto de Santos, além de estar há mais de 2 mil km do Mato Grosso (maior produtor brasileiro de soja), opera bem acima de sua capacidade limite. Duas saídas, então, para esse gargalo:

Escoamento direto pelo Porto de Santarém (BR-163)

A primeira possibilidade de replanejamento dos custos logísticos passa pela troca dos portos mais congestionados por outros, sem filas de espera, como o Porto de Santarém, a partir da BR-163, rumo ao Norte.

Muitos produtores de soja e milho já perceberam os benefícios desse deslocamento e já começam a levar seus produtos para serem embarcados no porto paraense. Entretanto, mesmo com o crescimento da demanda, ao menos por enquanto, ainda é possível liberar a carga sem perda de dinheiro por atrasos em filas.

Escoamento indireto pelo Porto de Santarém (via Miritituba)

Não conhecia essa rota? Pois ela pode ser a responsável por uma redução considerável no chamado “custo Brasil” (cujo componente mais amargo é o esgotamento da capacidade dos portos).

É importante lembrar que as longas filas de espera chegam frequentemente a paralisar lavouras, uma vez que ninguém quer produzir prejuízo. Essa ameaça pode ser reduzida por meio dessa alternativa, semelhante à primeira (BR-163) até o entroncamento “Santarém- Miritituba”.

Em vez de continuar rumo à primeira, muitos produtores estão orientando sua frota a pegar a BR-230 rumo à Miritituba, cuja estação de transbordo de cargas funciona desde 2014. Lá, a produção será embarcada em barcaças no rio Tapajós, as quais se encarregarão de levar a mercadoria por via fluvial aos portos do Pará. Isso é decisão estratégica na gestão de custos.

3. Antecipe a compra e a retirada de insumos cruciais à sua produção

Dizem que o brasileiro entra na fila no primeiro dia, por curiosidade, e no último, por desespero. Sim, deixamos tudo para a última hora e as indústrias nacionais acabam refletindo esse forte traço cultural tupiniquim.

Pois, no agronegócio, deixar a compra de insumos críticos à produção custa caro. Muito caro. Estudos mostram que a retirada de fertilizantes, sementes e defensivos nos períodos de pico da safra, aumentam os custos logísticos entre 30% e 40%. Acha exagero? Nem um pouco se pensarmos que estamos falando de valores mais salgados em decorrência de maiores gastos com frete e maior tempo de fila nos portos.

Só no Porto de Paranaguá, as filas podem chegar a 40 longos dias. Gestão de custos é antever necessidades — sobretudo as de insumos.

4. Aposte em soluções de gestão para o agronegócio

Está enxergando alguma semelhança deste tópico com o item 1? Ok, digamos que eles são “primos”, mas longe de serem irmãos gêmeos. Enquanto no 1º tópico, o foco é trazer tecnologia para subsidiar as decisões estratégicas para o campo, o interesse aqui é ter um bom sistema de gestão, que seja capaz de organizar e padronizar processos. Como controlar seu ponto de pedido se seu estoque ainda trabalha com anotações em planilhas?

É preciso ter um sistema de gestão para o campo que controle vendas e faturamento, manutenção industrial e assistência técnica na lavoura, planejamento e controle da cadeia animal, entre outros fatores.

Os melhores fornecedores de solução tecnológica para o agronegócio costumam dispor de produtos que contemplam tanto essas necessidades quanto sistemas com base em Analytics — produzindo informações estratégicas e preditivas ao campo.

Os desafios da gestão de custos no agronegócio industrial são muitos. Além do déficit de infraestrutura, um dos maiores obstáculos do setor é conseguir equilibrar a difícil relação entre custo e nível de serviço (trade-off). Isso porque os clientes exigem cada vez mais qualidade de infraestrutura logística (redução de prazos de entrega, entrega com hora determinada, liberdade para alterações de pedido). Mas, evidentemente, não aceitam pagar mais por isso.

A solução é investir em soluções tecnológicas que racionalizem processos, integrem a cadeia produtiva e deem maior controle sobre a logística de distribuição.

Por falar em gestão de custos, que tal conhecer agora mas sobre Big Data na agricultura: como tornar sua produção mais rentável? Boa safra pra você!

Domênico Meneguzzi
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