Cadeia produtiva: 5 razões para acompanhar as etapas do agronegócio

Mapeamento e melhoramento genético (pesquisas em biotecnologia), agregação de insumos, plantio, colheita, transporte, armazenamento e industrialização: até que o alimento chegue ao consumidor final, um universo de etapas se segue na cadeia produtiva do agronegócio, em uma inter-relação inseparável que impacta profundamente a todos os membros. Basta um elemento da rede enfrentar problemas e todos serão afetados.

Sim, já se foi o tempo em que o produtor de laranja não se importava com a situação dos fornecedores de insumos e só tinha olhos para a indústria cítrica; em que a indústria cítrica só enxergava os distribuidores e ignorava completamente as dificuldades logísticas das transportadoras; por fim, em que o varejo não se importava com ninguém, só se interessando pela demanda de consumo dos sucos de laranja expostos em suas gôndolas.

Em um segmento com imensas dificuldades de financiamento e alto custo logístico, ter visão sistêmica do setor produtivo é fundamental para sobreviver no mercado. Hoje vamos mostrar 5 razões para acompanhar todas as etapas do agronegócio e como transformar esses dados em vantagem competitiva ao seu negócio!

1. Antever mudanças climáticas/flutuações sazonais de demanda que impactem o negócio

Uma greve geral deflagrada nas empresas do setor de transportes irá atrasar a entrega dos farináceos de aveia, trigo e cevada, imprescindíveis à indústria de cereais. A seca prolongada no Sudeste influencia a safra da cana-de-açúcar, obrigando muitas usinas a encerrarem mais cedo suas atividades. Da mesma forma, a alta no preço de herbicidas, fertilizantes, sementes e corretivos vai alterar o custo de produção no ciclo de plantio das lavouras de milho (e essa majoração nos preços certamente irá ser repassada até encontrar o bolso do consumidor final!). A falta de conhecimento global da cadeia produtiva pega o agronegócio de surpresa, gerando prejuízos na produção e aumento de custos pela adoção de medidas emergenciais.

Uma forma de antever as mudanças climáticas ou alterações no ritmo da cadeia produtiva se dá por meio do trabalho com ferramentas de gestão estratégica, como o Balanced Scorecard (BCS). A vantagem desta sobre outras técnicas de mensuração de indicadores é que a avaliação do desempenho do agronegócio, por meio do BSC, será feita para muito além da análise apenas financeira (as perspectivas monitoradas são a financeira, de clientes, processos internos e aprendizado e crescimento), dando uma visão mais geral do sistema.

Dentro de cada perspectiva existem dezenas de indicadores que serão analisados (em todos os pontos da cadeia de produção), no intuito de traduzir a missão da sua empresa em metas e objetivos palpáveis a todos os funcionários. Ter controle do todo é fundamental.

2. Conhecer melhor o consumidor final

A perspectiva dos clientes é um dos vieses do BSC. Gerenciar as atividades do campo por meio dessas ferramentas de gestão (muito usadas em grandes empresas de outros setores) é ter acesso a indicadores valiosos, que serão como uma bússola às empresas do segmento. Especialmente se essa estratégia for trabalhada mediante um eficiente sistema de gestão para o agronegócio.

Uma solução em Business Intelligence (BI) para o agronegócio irá coletar, agregar e cruzar centenas de dados do setor, como condições de plantio, preços de fertilizantes, taxas de perdas, percentual de eficiência no controle de pragas e até possíveis mudanças meteorológicas (gerando informação gerencial para apoiar a tomada de decisões). No entanto, por meio de um sistema de gestão, é possível enxergar além dos limites do campo, inserindo na análise indicadores ligados à demanda do consumidor final, por exemplo, elevação/queda no consumo de bebida lácteas, índice de procura por produtos derivados de grãos etc.

Esse trabalho completo com indicadores, feito com a tecnologia para o campo, ajuda a entender mais o que o consumidor realmente busca, adaptando o início da cadeia produtiva para se moldar a essas necessidades, o que amplia o poder de mercado das empresas do setor.

3. Enriquecer seu acervo de dados do setor para trabalho mais assertivo com Análise Preditiva

Um estudo feito pela consultoria McKinsey & Company, em 2014, revelou que a aplicação direta de soluções com base em Big Data pode representar, até 2019, economia de até R$ 24 bilhões no agronegócio nacional. E estamos falando apenas das culturas de milho, soja e trigo! A gestão de dados no campo é feita com primazia nos países desenvolvidos, o que torna impossível se manter no mercado nos próximos anos alienando-se do poder que a Inteligência de Negócios pode levar à produção agrícola e pecuária. Mas é preciso conhecer todo o sistema produtivo para tirar proveito dessa inovação.

As melhores empresas do setor aproveitam a crise para substituir a compra de máquinas (de alto custo) pela assinatura de soluções de tecnologia e inovação para o agronegócio (de baixo custo e que reduzem as perdas na lavoura e otimizam as atividades nos criadouros). Ter acesso a dados mais amplos da cadeia produtiva ajuda a enriquecer a base de dados para um trabalho mais eficiente com Análise Preditiva (previsão de tendências).

Imagine se o trabalho no campo pudesse contar com uma ferramenta que cruzasse dados meteorológicos, indicadores da demanda externa, mudanças na legislação de exportação, dados do consumo interno, de saúde dos animais etc., gerando indicações de comportamento futuro do mercado. Isso não é adivinhação, é Ciência de Dados.

4. Impedir que sua empresa perca competitividade internacional

Se você conhece todas as pontas da cadeia de produção, agrega as informações de todos os stakeholders em soluções de gestão para o agronegócio e tem acesso a relatórios e gráficos poderosos (gerados em tempo real), você consegue tomar decisões mais rápidas, ou seja, tem maior tempo de resposta às imprevisibilidades do setor. A velocidade de raciocínio trazida pela tecnologia ajuda a empresa a não perder competitividade no mercado internacional.

5. Compreender melhor o uso de sementes transgênicas

Você pode até conhecer os impactos do uso da biotecnologia no aumento da produtividade em sua empresa (sem ampliação da área plantada). Mas qual a abordagem que o consumidor final tem com relação à biotecnologia no campo? Qual o comportamento da produção transgênica no decorrer da cadeia produtiva (condições de armazenamento, maior/menor resistência durante o transporte etc.)?

Na Era da Informação, em que dispositivos móveis controlam a produção de ponta a ponta e a Computação em Nuvem permite acompanhamento em tempo real de todas as etapas do processo, manter os olhos presos apenas ao arado é assinar a certidão de óbito no setor do agronegócio. Procure acompanhar a evolução tecnológica e as inovações do setor, como o uso das sementes transgênicas, de modo a manter-se sempre em vantagem competitiva.

Agora que você entendeu como o conhecimento pleno da cadeia produtiva e o uso da TI no campo pode mudar a história do setor agropecuário, que tal continuar aprofundando suas possibilidades de inovação e descobrir “O que é um software de gestão agrícola e o que ele pode fazer pelo negócio?” Sucesso e até breve!

Sergio Valerio
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