Agronegócio brasileiro: 5 desafios que as empresas do setor enfrentam

Soja, álcool, açúcar, carnes, milho: o agronegócio foi o único setor da economia a apresentar PIB positivo em 2015 (1,8%) e a expectativa de representantes do segmento é que o bom desempenho continue em 2016 (estima-se crescimento entre 1,5% e 2,2%). Representando em torno de 20% do Produto Interno Bruto nacional (aproximadamente R$ 1 trilhão), o setor esbanja otimismo, mas seus resultados ainda são reprimidos por algumas limitações, como gargalos na gestão de estoques, atrasos tecnológico, aumento de custos pelas dificuldades logísticas, baixo uso de técnicas modernas de conservação do solo e da água (como Sistema de Plantio Direto), entre outras questões que precisam ser superadas para que o país não perca competitividade internacional. Hoje vamos falar sobre alguns dos maiores desafios a serem enfrentados pelo agronegócio brasileiro.

1- Aprimorar a gestão de insumos/estoques

Redução de custos é o mantra de todo produtor rural, especialmente em momentos de crise econômica. Em um cenário como o atual, de alta do dólar, juros elevados, crédito escasso e queda sistemática no preço das commodities (só no último mês de agosto, a queda foi de 2,6%), utilizar os insumos e máquinas no nível máximo de suas potencialidades é primordial para manter competitividade no segmento.

No caso dos insumos, o mau uso da tecnologia Bt, por exemplo, tem gerado prejuízos a muitos produtores de milho, sobretudo pelo aumento da frequência de pragas resistentes nas plantações. O sucesso do uso de proteínas inseticidas de Bt depende de conhecimento técnico, estratégias adequadas de manejo (como plantio de áreas de refúgio), além de soluções de gestão para agronegócio que possam controlar indicadores, como medida de utilização de fertilizantes, índice de conservação do solo, distribuição e logística de entrada e saída, entre outros referenciais imprescindíveis na cadeia produtiva.

Um sistema de gestão para o agronegócio permite ainda o controle sobre os insumos armazenados (sementes, adubos, defensivos, etc.), disponibilização de informações em tempo real e controle de contratos, o que resulta na redução das perdas de matérias-primas e melhor uso de maquinário. Trazer a mobilidade para o campo, no intuito de aprimorar o gerenciamento dos estoques e insumos usados na cadeira produtiva é um dos maiores desafios do setor.

2- Reduzir perda de produtividade por força da má gestão

Tornar a produção racional por meio de rígido controle de indicadores em tempo real e, assim, reduzir o desperdício da produção: segundo um levantamento da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), 1/3 de todos os alimentos produzidos no planeta são perdidos (boa parte, em função do uso de técnicas precárias na colheita e da falta de processos eficientes no acondicionamento e transporte).

Mesmo os grandes produtores ainda negligenciam a implementação de perspectivas mais modernas de gestão, como a chamada Agricultura de Precisão que, diferentemente do modelo tradicional de produção (em que doses médias de insumos são aplicadas uniformemente por todo o campo), estimula que o plantio seja feito de forma variada e direcionada, de acordo com a variabilidade espacial da lavoura (fazendo uso do manejo integrado de informações e tecnologias, como Global Navigation Satelite System – GNSS, Sistema de Informações Geográficas – SIG, sensores para medidas ou detecção de parâmetros e até geoestatística.

3- Informatizar processos de análise do solo, plantio, colheita, transporte e tratamento do gado

Falamos acima de melhor uso dos insumos e estratégias modernas de gestão. Perceba que ambos os tópicos guardam relação direta com a adoção de novas tecnologias para o campo. Em um ambiente de negócios que flutua sensivelmente ao sabor de fatores macroeconômicos, é preciso que a agricultura e a pecuária nacional disponham de uma infraestrutura de TI que traga aos produtores uma visão sistêmica dos processos de negócios, padronização dos fluxos industriais e base de dados uniformizada e completa, a fim de subsidiar trabalho aprofundado com Análise Preditiva, maximizando resultados e reduzindo custos. Mas este cenário ainda está bem distante do agronegócio brasileiro.

De acordo com estimativas da Sociedade Rural Brasileira, apenas 18% das empresas agrícolas de grande porte fazem uso da tecnologia em seus processos produtivos. Isso explica a razão pela qual, mesmo em meio às boas condições climáticas médias e à generosa extensão territorial, o Brasil ainda produza aquém de sua capacidade.

Em um cenário de competitividade voraz, como o enfrentado pelo agronegócio, a utilização de ferramentas que reduzam as perdas na lavoura por meio da minimização das imprevisibilidades climáticas é fundamental para o sucesso do negócio: saber se teremos pela frente um longo período de seca/iminente incidência de geada e dispor de sistemas modernos de análise de demanda são alguns dos diferenciais que formam o frágil limite a separar o sucesso e o fracasso no agronegócio. O setor precisa se igualar ao nível de informatização dos países desenvolvidos.

4- Superar as dificuldades de financiamento

A cada safra, o mundo do agronegócio volta a ouvir a velha discussão sobre os problemas de financiamento, um dos principais gargalos do setor. Durante longas décadas, as inapropriadas intervenções e omissões do Estado (quem não se lembra da política de garantia dos preços mínimos?) deixaram sequelas que são sentidas até hoje. Em pleno século XXI, o segmento ainda depende demais do modelo de crédito agrícola oficial (cuja fonte parece secar em tempos de crise) e de aportes dos próprios produtores, que têm que recorrer ao financiamento privado extrabancário, de difícil consecução.

O encarecimento das linhas de capital de giro nos bancos privados impõe ao agronegócio o desafio de se tornar mais autônomo e autossustentável, reestruturando seu modelo de negócios por meio do fortalecimento do planejamento. Maior produtividade com a utilização da biotecnologia e estabelecimento de parceria de longo prazo com fornecedores são algumas das ações de gestão que reduzem custos e, por consequência, a necessidade de buscar recursos junto a instituições com alta carga de juros.

5- Buscar alterações legislativas que refreiam o aumento da produtividade no setor

Um dos maiores obstáculos do setor agrícola e pecuário é a própria legislação nacional. Entre as inúmeras restrições impostas ao segmento, a proibição dos contratos trabalhistas por produtividade e ausência de regulamentação para o exercício do trabalho de forma terceirizada é uma das principais causas da informalidade e da perda de competitividade dos produtores nacionais em relação aos concorrentes de outras nações. Buscar mudanças na lei através da pressão de associações e confederações (como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil  – CNA) é um passo essencial para mudar a performance do segmento.

Quais desses desafios têm impactado em maior intensidade o agronegócio brasileiro, em sua opinião? Deixe sua mensagem abaixo, mas não se esqueça de se atualizar ainda mais no segmento, clicando agora em “Agrobusiness brasileiro: 8 razões que tornam esse mercado mais forte“! Sucesso e até a próxima!

Parkev Junior
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