8 indicadores financeiros essenciais para o seu negócio

Para monitorar nossa saúde, é necessário fazer check-up para sabermos a atual situação do nosso organismo, não é? Medir a temperatura do corpo para verificar se há febre, fazer exame de sangue para saber os níveis de glicose e aferir a pressão pra detectar uma hipertensão é essencial. Assim são também os indicadores financeiros de uma empresa. Se eles são identificados, controlados e monitorados, o risco de entrar em colapso é muito menor. Eles determinam a direção para onde o plano de ações da companhia deve trabalhar e medem a saúde corporativa.

“Os indicadores financeiros são, na verdade, sinais vitais do funcionamento de uma organização”, explica Greicy Carla Rodrigues, sócia da GCR Consultoria e Coordenadora do Núcleo de Jovens Empreendedores do Centro da Indústria do Estado de São Paulo (Ciesp) de Santo André.

Além disso, eles ajudam na elaboração de um planejamento de ações de médio e longo-prazo como é o caso de investimentos em tecnologia e automação no campo. “Seu acompanhamento contribui de forma decisiva para identificar como está a performance e riscos nos negócios e, principalmente, auxiliar o gestor a reconhecer os focos de ação para aprimorar o desempenho de sua empresa”, diz Bruna Losada, coordenadora acadêmica da escola de negócios Saint Paul.

Neste post, vamos mostrar 8 indicadores estratégicos para o eficaz gerenciamento de um negócio. Acompanhe!

8 indicadores financeiros essenciais

“Cada indicador financeiro funciona como um termômetro e as medições observadas podem ser comparadas com desempenhos passados da própria empresa ou equiparados com o histórico do mercado em que atua”, afirma Rodrigo Yamabe, gerente de projetos da Siegen, especializada em gestão estratégica de negócios.

Segundo ele, um dos erros mais comuns entre os empresários é querer observar apenas um ou outro indicador financeiro para pautar suas decisões, sem levar em conta as correlações e análises mais aprofundadas.

O aumento no faturamento bruto, por exemplo, não significa necessariamente que o lucro será maior, pois o prazo de recebimento do dinheiro pode ter sido estendido (mais vendas a prazo) e isso poderá resultar em uma necessidade de capital de giro (para custear a produção), o que implicará em um custo financeiro maior e, portanto, um lucro final menor.

Existem inúmeros indicadores financeiros, mas os mais utilizados são os seguintes:

Faturamento bruto

A evolução do faturamento em negócios cuja sazonalidade não é esperada (como no agronegócio, por exemplo) pode ser observada no comparativo mês a mês. Já nos casos em que haja inconstância na evolução do faturamento, pode-se realizar a comparação em trimestres correspondentes de um ano ao outro ( 2º trimestre do ano corrente contra o 2º trimestre do ano anterior, por exemplo).

Aumentos no faturamento podem ser resultado de uma estratégia mais agressiva de vendas (preços mais baixos, mas com volume de vendas maior, ou condições de recebimento a prazo mais longas), ou então um aumento na divulgação do produto (marketing).

“De uma forma ou de outra, aumentos constantes no faturamento irão incrementar a pressão por capital de giro (financiado ou não), custos (insumos, produção, capital humano, equipamentos e instalações) e investimentos”, explica Yamabe.

Lucratividade e rentabilidade

Esses índices examinam a eficácia das operações da empresa, mostrando os efeitos combinados de liquidez, gestão de ativos e gestão da dívida sobre os resultados operacionais.

A rentabilidade de uma companhia reflete sua capacidade de se financiar, como é a distribuição de dividendos e sua capacidade de gerar receitas. Já os índices de lucratividade indicam o percentual de retorno pela empresa sobre as vendas.

Entretanto, uma organização ser lucrativa não significa que ela seja rentável. “Muitas vezes, as despesas administrativas ou com juros podem acabar com a rentabilidade de uma companhia”, alerta Rodrigues.

Os principais índices de lucratividade e rentabilidade são: Margem de Lucro Líquido, Margem de Lucro Operacional, Margem de Lucro Bruto, EBITDA, Retorno sobre o ativo total (ROA) e Retorno sobre o patrimônio líquido (ROE).

Custos fixos

O acompanhamento da evolução dos custos fixos é fundamental para se evitar surpresas. Outro fator importante é a manutenção rápida e antecipada dos custos fixos sempre que o cenário econômico sinalizar alterações de longo prazo.

Ticket médio (faturamento dividido pelo volume de vendas ou pelo número de clientes)

O ticket médio é um indicador versátil e pouco utilizado pelas empresas. É possível medir, por exemplo, quanto os clientes do Sul do país consomem em média um grupo de produtos da empresa e comparar esse indicador com outra região, obtendo assim um comparativo para esforço de vendas.

Índice de liquidez corrente (Ativo Circulante dividido pelo Passivo Circulante)

Esse índice demonstra a capacidade de cumprimento das obrigações de curto prazo (passivo circulante) frente a disponibilidade de capital (ativo circulante). Quando o indicador permanece inferior a 1, é um indicativo de que a empresa está com dificuldades em manter seu capital de giro saudável.

Representatividade das despesas financeiras (despesas financeiras em módulo dividido por receita líquida)

Esse indicador reflete o peso das despesas financeiras sobre as vendas. “Dessa forma é possível visualizar melhor qual o limite da prática de descontos sobre certos clientes, em determinados períodos do ano”, afirma Yamabe.

Giro dos ativos

O giro dos ativos dá um indicador de volume. Ele pode ser calculado como Faturamento / Ativos da empresa.

Os ativos são todos aqueles investimentos que a empresa faz: imobilizados (máquinas, equipamentos, ou seja, seus ativos fixos), investimento em estoques e investimentos em clientes, por exemplo.

“Da mesma forma como a margem líquida, esse é um indicador que pode ser analisado à luz do patamar de giro de empresas comparáveis do segmento, explica Losada.

Endividamento

Por fim, sugere-se a análise de indicadores de endividamento. Esses indicadores podem trazer uma visão de exposição a riscos financeiros da empresa. Qual a capacidade de pagamento dos serviços da dívida da empresa (juros)? E qual a sua capacidade de devolução aos credores do principal da dívida?

Fórmula DuPont

Uma das formas modernas de elaboração de planejamento por meio da leitura de indicadores financeiros é a utilização da fórmula DuPont, que calcula basicamente o Retorno Sobre o Capital Próprio (ou ROE na sigla em inglês).

A fórmula consiste em:

ROE = MARGEM LÍQUIDA x GIRO DO ATIVO x ALAVANCAGEM, onde:

MARGEM LÍQUIDA = (LUCRO LÍQUIDO / RECEITA LÍQUIDA), ou seja, quanto das vendas efetivas estão disponíveis ao empresário;

GIRO DO ATIVO = (RECEITA LÍQUIDA / ATIVO TOTAL), ou seja, quantas vezes o ATIVO da empresa gera resultado;

ALAVANCAGEM = (ATIVO TOTAL / PATRIMÔNIO LÍQUIDO), ou seja, qual o percentual de participação de capital de terceiros.

Segundo Yamabe, as decisões de investimento em novos ativos ou em incrementos de vendas ou a redução de despesas para aumentar o lucro são facilmente observadas em cada parcela da fórmula acima.

Basicamente, o ROE é a Margem Líquida (que idealmente deve ser positiva) e os incrementos gerados pelo Giro do Ativo e pela Alavancagem.

Indicadores ideais e benefícios

Não existe um grupo ideal de indicadores financeiros para ser analisado. Os mais pertinentes dependem de fatores como:

  • tipo de mercado (varejo ou atacado);
  • tipo de indústria (uma indústria cuja matéria prima depende da variação do dólar não pode se basear pura e simplesmente em resultados passados, pois qualquer flutuação na moeda estrangeira afetará de forma diferente os resultados atuais);
  • composição dos custos fixos e variáveis (empresas que consomem muita energia elétrica podem optar por contratos de compra de energia de longo prazo, o que torna difícil a renegociação durante a vigência do mesmo).

De acordo com Rodrigo Morgan, sócio-executivo Loja de Franquia, o monitoramento dos indicadores permite, portanto, uma gestão consciente e mais eficaz dos negócios. Por meio da análise constante dos índices, a empresa poderá medir a evolução da sua performance e tomar decisões estratégicas baseadas em dados quantificados.

“Adicionalmente, irá fornecer condição de se avaliar quais os pontos em seus processos precisam de melhorias, uma vez que as deficiências ficarão expostas”, diz Morgan. Ao final, a companhia poderá alocar corretamente os seus recursos, trabalhando com maior produtividade e eficiência, colhendo assim melhores resultados.

Determinar, analisar e monitorar os indicadores financeiros é tarefa imprescindível para o sucesso de uma empresa. Mas tão importante quanto é fazer o controle financeiro de uma organização. Para saber mais sobre o assunto, leia o artigo: “Controle financeiro: 11 dicas para uma gestão mais eficaz“.

Rafael Castilhos
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