7 erros comuns de governança corporativa nas empresas

A governança corporativa nas empresas se tornou estratégica nos dias de hoje. Seja por causa do crescimento do grau de maturidade das próprias organizações ou do surgimento de necessidades dos stakeholders — partes interessadas — dos negócios, as companhias passaram a tornar as práticas de gestão mais transparentes.

Com a globalização econômica e o crescente fluxo de informações, as empresas precisaram se adequar ao atual cenário, marcado pelo controle de atividades tanto interna quanto externamente. Ainda assim, existem organizações que não conseguiram se adaptar à realidade presente e que deixam a desejar quando o assunto é transparência na administração.

Conheça, em seguida, sete erros de governança corporativa nas empresas e busque evitá-los no seu negócio.

1. Decisões com base no modelo de gestão familiar

Em princípio, não há problema no fato de uma empresa ser familiar, desde que os responsáveis tomem decisões profissionais, baseadas em conhecimento técnico. Situações ruins para a organização podem surgir quando as relações de parentesco passam a se sobrepor às relações de negócios.

Se apenas um proprietário detém o capital integral da empresa, em tese, somente ele assume os riscos das decisões tomadas. Contudo, à medida que o negócio cresce e passa a ter sócios, a situação muda e as responsabilidades do gestor aumentam. Nesse sentido, a governança corporativa nas empresas atua de modo a criar um ambiente de negócios confiável, pautado por normas de conduta profissionais e transparentes.

2. Falta de um sistema de governança corporativa nas empresas

De modo geral, a governança corporativa abrange boas práticas de gestão como um todo e de controle dos atos empresariais. As regras seguidas pelas organizações podem compreender leis, orientações de entidades de classe ou de educação, exigências de órgãos de regulação, recomendações de organismos internacionais e normas elaboradas pelas próprias empresas.

Um erro existente em algumas companhias é a falta de um sistema de governança corporativa institucionalizado, com regras conhecidas e seguidas pelos gestores e pelos demais responsáveis pelo andamento do negócio. Nesse caso, se a empresa não possui um conselho de administração, um conselho fiscal, um documento que expresse as normas de conduta etc. não demonstra na prática que possui uma governança corporativa eficaz.

3. Ausência de regras de arbitragem

Como já mencionamos, se há apenas um proprietário do negócio, ele pode tomar decisões até mesmo pessoais. Entretanto, quando a gestão da empresa passa por vários indivíduos, como diretores, técnicos e acionistas, a organização deve ter regras objetivas que definam o rumo da companhia. Caso contrário, interesses particulares ou de grupos poderiam se sobrepor às necessidades da empresa de maneira geral.

Para evitar conflitos demasiados, que têm potencial de minar a sobrevivência da organização no longo prazo, é necessário o estabelecimento de regras de arbitragem interna ligadas aos processos decisórios. Dessa maneira, mantém-se a segurança jurídica e evitam-se surpresas na gestão. Por exemplo, existem casos em que a empresa só toma uma decisão caso haja aprovação da maioria dos sócios ou, então, descarta a possibilidade se um dos proprietários não aprovar a iniciativa.

4. Não consideração da meritocracia

A governança corporativa nas empresas pressupõe que os interesses do negócio sejam colocados em primeiro lugar em detrimento de proveitos particulares. Logo, se um gestor oferece uma cargo de destaque na companhia para um familiar, apenas para beneficiar o parente, sem qualquer comprovação de capacidade para tal posição, ele age em desconformidade com as boas práticas de governança corporativa.

Numa gestão profissional, a companhia possui processos claros e objetivos, além de valores que devem ser seguidos por todos. Portanto, a ascensão na carreira se faz por meio do mérito e não por causa de indicações. Com isso, a empresa evita que profissionais não capacitados tomem decisões que venham a prejudicar as atividades do negócio.

5. Falta de transparência nos processos

Quando se fala em governança nas empresas, quatro princípios básicos geralmente são citados: transparência, equidade, prestação de contas (accountability) e responsabilidade corporativa. Eles norteiam a ação das companhias que prezam pela própria imagem institucional e pela retidão nos negócios.

Quem nunca ouviu falar de escândalos de grandes corporações, devido a normas legais que foram burladas ou a envolvimentos em casos de corrupção, não é mesmo? Nesse contexto, para evitar que a imagem da empresa seja manchada por ações de poucos indivíduos, algumas companhias instituem padrões rígidos de governança corporativa, para assegurar transparência nos processos. Dessa forma, diminuem-se as brechas para eventuais atos que possam prejudicar o negócio.

6. Inexistência de fiscalização ou pouca efetividade dos órgãos de controle

No dia a dia do mundo corporativo, não basta somente que a governança se restrinja a padrões preestabelecidos e a regras de conduta esperadas. Para que a gestão da empresa possa ser de fato transparente, é necessário que haja órgãos de monitoramento internos, como os conselhos de administração e fiscal, além de uma controladoria.

Algumas empresas também possuem um departamento de relações com investidores, para prestar informações para os acionistas ou para aqueles que pretendem alocar capital no negócio. Vale lembrar que muitas vezes a governança corporativa nas empresas é um dos principais critérios de escolha utilizados por investidores qualificados, quando pretendem alocar recursos em uma companhia.

Cientes da importância das boas práticas de gestão, algumas entidades, como a BM&FBOVESPA, estabelecem distinções para companhias que privilegiam a transparência na administração. As empresas listadas no segmento “Novo Mercado” da bolsa de valores brasileira, por exemplo, seguem padrões diferenciados de governança corporativa, de modo a assegurar mais confiabilidade aos investidores que nelas aplicam recursos.

Logo, as decisões não podem mais ficar restritas a poucas pessoas. Com o avanço da tecnologia, os investidores querem estar a par de tudo o que acontece na organização. Para tanto, a empresa deve dispor de meios adequados para informar os stakeholders acerca da situação do negócio como um todo.

7. Concessões pontuais

Engana-se quem pensa que a governança corporativa é apenas um modismo ou algo “para inglês ver”. Essa nova forma de gerenciar um negócio é seguida pelas principais corporações do mundo. Logo, será cada vez mais difícil encontrar um investidor disposto a apoiar um negócio pouco transparente.

Diante desse contexto de maior fiscalização dos negócios, as organizações devem ficar atentas para não cometer “pequenos” erros, como pular etapas internas, como a aprovação de um conselho para determinado projeto ou a falta de checagem de alguns elementos antes de se tomar uma decisão. Afinal, muitas vezes a pressa em certos processos pode ferir de modo significativo os padrões de transparência do negócio e, com isso, transmitir uma postura negativa para o mercado.

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Paulo Ronchetti

CEO ITS

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